Desprezado pela sociedade, o tecido adiposo na região do abdomen, a famosa barriguinha, está se mostrando eficaz em uma pesquisa realizada desde 1999 pelo Instituto Dante Pazzanese, em São Paulo, que estuda o uso das células-tronco na recuperação dos músculos do coração. Segundo Marcelo Ferraz Sampaio, chefe do laboratório do Dante, a idéia da pesquisa partiu depois do sucesso das lipoaspirações. “Pesquisadores começaram a estudar a gordura retirada na operação e descobriram que no meio daquele ‘caldo’ estavam as células”, diz.
As células encontradas na barriga são como “coringas” e podem se adaptar a qualquer outro tipo de célula do corpo humano. Em sua segunda etapa, a pesquisa tem mostrado que as células desta área são mais eficientes que as retiradas da medula óssea. Até agora, os testes foram apenas em ratos e, a partir deste mês, começam a ser testados em seres humanos no próprio Dante.
“Nenhum dos ratos teve qualquer efeito danoso”, afirma Sampaio. Além do coração, a pesquisa tem outras três linhas de estudo para que as células-tronco possam ser aplicadas como a cartilagem (como orelha, nariz e articulações), no tecido mamário (para reconstrução da mama em mulheres que perderam o seio ou parte dele em decorrência do câncer de mama) e as chamadas funções complexas, como a neurotransmissão de informações do corpo humano.
Se aprovada, a pesquisa pode se transformar em um novo tratamento dentro de cinco anos. Sampaio explica que o procedimento seria muito simples: “A retirada das células seria feita com uma agulha em um método chamado punção. É mais rápido, mais fácil e mais acessível”. De acordo com o médico, a gordura retirada da região abdominal vai para um laboratório. Em cerca de duas horas, as células são separadas da gordura e estão prontas para serem injetadas no tecido muscular do coração. “É indicado para pacientes que sofreram infarto ou têm algum tipo de insuficência cardíaca. No coração, as células da barriga aumentam e melhoram a potência e a capacidade cardiomuscular”.
As células-tronco da barriga podem até ser doadas, mas podem não se adaptar em outro ser vivo, como no caso dos transplantes. “O ideal é que as células usadas sejam do mesmo indivíduo”, completa. O médico garante que até mesmo os mais esbeltos podem se valer da prática: “Todo mundo tem um tecido adiposo na região abdominal, uns mais, outros menos. Mas, em todos os casos, é possível extrair até 10 milhões de células-tronco”. Fonte: Ivy Farias Repórter da Agência Brasil
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