Auto-estima e vontade de viver se tornaram fortes aliadas de aproximadamente 100 mulheres que lutam contra o câncer de mama. O grupo Mãos Dadas, um programa da Prefeitura de Novo Hamburgo, oferece às vítimas desse tipo de câncer apoio psicólogico, consultas, exames especializados, cirurgias, palestras, cursos além de oficinas de geração de renda.

Para comemorar os dois anos de programa, que é pioneiro no Estado, todas as componentes participarão de um encontro especial nesta quarta-feira, dia 25, às 14h, no Espaço Cultural Albano Hartz (Calçadão Oswaldo Cruz). A programação inclui, além de homenagem a um dos idealizadores do Mãos Dadas, o mastologista Damásio Trindade, apresentação das coralistas do grupo e uma festa junina.
A coordenadora do Mãos Dadas, Flávia Trevisan, frisa que as chances de cura são maiores à medida em que são disponibilizados pelo Municipio mais recursos que vão desde o tratamento de nódulos não-palpáveis, por meio de agulhamento, até cirurgias de reconstrução da mama. O tratamento é realizado dentro do Municipio sem a necessidade de ir a Porto Alegre em busca de exames ou cirurgias, já que a capital do Estado é referência no tratamento. Por mês o Centro Municipal de Imagens realiza 800 mamografias, 400 ecografias, 10 biopsias, 20 cirurgias e 200 consultas. “Atualmente é possível descobrir um nódulo antes mesmo dele ter o tamanho para ser sentido no exame de toque”, destaca. Para mulheres cujo câncer está em estado avançado e não há possibilidade de evitar a retirada da mama, o programa oferece cirurgias de reconstrução. Até o momento, quatro mulheres já passaram pelo processo e, segundo a coordenadora do Centro Municipal de Imagens, Rúbia Wingert, outras cinco aguardam pela intervenção.

Dados da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) comprovam que o trabalho da equipe composta por 10 médicos, psicóloga, nutricionista e mastologista resultou na diminuição de 19% dos óbitos causados pela doença no município. Em 2007 foram 17 óbitos causados pelo câncer, quatro a menos que em 2005. Rúbia afirma que até o momento, nenhuma participante do grupo faz parte dessa estatistica. “Não registramos nenhum falecimento por câncer de mama. Os dados da Semsa são, com certeza, referente a mulheres que, por medo ou desconhecimento, não começaram ou simplesmente abandoram o tratamento”, explica.

O mesmo medo quase intimidou a aposentada Shirlei Rodrigues, 60, de participar das atividades do Mãos Dadas. A moradora do bairro Petrópolis conta que descobriu o câncer em novembro de 2007 e que, em 15 dias, realizou a cirurgia de retirada da mama. Ao realizar um dos exames no Centro de Imagens foi convidada para participar do grupo, convite que na época negou. “Eu estava muito fragilizada. Tinha medo de encontrar pessoas tristes e deprimidas se lamentando por ter a doença”. Mas a curiosidade falou mais alto e Shirlei compareceu a uma reunião onde constatou o alto astral das participantes. Mesmo assim, devido à quimioterapia e por ser a única do grupo que havia perdido o cabelo, ela voltou a afastar-se quando recebeu um cartão com uma mensagem de fortalecimento assinado pelas colegas, demonstração de carinho que a fez retornar definitivamente ao grupo. “Hoje estou curada, tenho meus cabelos de volta e, graças ao apoio das colegas, recuperei a alegria de viver. Pretendo continuar no grupo e ajudar novas participantes, assim como me ajudaram”, garante.

Atividades diferenciadas - Música, dança e oficinas de geração de renda são coadjuvantes no tratamento que melhora tanto a saúde quanto a auto-estima das mulheres. Aulas de canto foi a atividade escolhida por 25 mulheres que já viajaram por diversas cidades com o coral formado a partir da iniciativa. Além disso, voluntários dos cursos de fisioterapia do Centro Universitário Feevale e uma nutricionista do Programa Municipal Nutrir, disponibilizam seus serviços em prol dessas mulheres. “O trabalho dos voluntários é belíssimo. As oficinas de trabalhos manuais, por exemplo, dão uma nova alternativa de renda a muitas dessas mulheres que, na maioria das vezes, estão desempregadas”, ressalta. Os encontros ocorrem de segunda-feira à quarta-feira, das 13h às 15h, no Espaço Cultural Albano Hartz. Fonte: Prefeitura Municipal de Novo Hamburgo