Comunidade aplaude tombamento da Igreja da Ascensão como patrimônio histórico e cultural de Novo Hamburgo
Postado: Segunda-feira, Junho 2nd, 2008 - 17:46 Artigo: Noticias
A fria e ensolarada manhã de domingo, 1º de junho, teve um significado especial para a comunidade da Igreja da Ascensão do Senhor, única no Brasil em estilo gótico europeu puro e uma construção rara de arquitetura do século passado. Durante o culto do dia, às 9h30min, o prefeito Jair Foscarini assinou o decreto e o Livro de Tombo, oficializando o tombamento do templo que pertence à comunidade Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), localizado na rua Bento Gonçalves, 2434, esquina com a rua David Canabarro.
Mais do que atender pedido da comunidade, o ato da Prefeitura, também representada na cerimônia religiosa pela titular da Secretaria de Cultura (Secult), Helenise Juchen, define como bens de valor histórico a fachada externa, a torre que abriga dois sinos trazidos da Alemanha, os vitrais, a pia batismal, a mesa do altar, o quadro de hinos, o órgão de tubos e as luminárias.
Jair foi aplaudido ao entregar o decreto ao presidente da comunidade da Ascensão, Odemir Graziotin. Ele também cumprimentou a presidente da Associação Mantenedora de Edificações Góticas de Novo Hamburgo (AMEGÓTICOS), Bernadete Hoffmann, por seu engajamento na campanha de restauração do templo e destacou a importância do ato. “Esta data é um marco na história de Novo Hamburgo. O tombamento representa a preservação da história e de uma importante bagagem cultural trazida pelos imigrantes alemães”, disse Jair.
Para Helenise Juchen, a importância do gesto de Jair é indiscutível para a preservação da história e da cultura da cidade. “Atender ao pedido da comunidade, tombando este templo, não é um dever e sim uma obrigação”, exclamou. Segundo ela, a Igreja, como patrimônio municipal, tem mais possibilidades de conseguir recursos para projetos de preservação. Os fiéis que participaram do culto, entre eles alguns que também estiveram na inauguração da Igreja, há pouco menos de 57 anos, não esconderam a alegria por participar de um momento importante para a cidade. “Foi a melhor coisa que poderia acontecer para comunidade e o município”, disse o motorista Danilo Ardy Klagenber, 69 anos. Entre as vantagens do tombamento ele cita a redução das despesas para a comunidade cristã com a manutenção do templo, além de representar um importante ganho para a cultura e a história da cidade. A bancária aposentada Walli Ohlweiler, 80 anos diz que o tombo, por mais que a expressão pareça estranha, tem um significado muito importante. “É uma obra artística única que permanecerá para sempre em nossa história”. Celso Oscar Petry, 45 anos, técnico elétrico mecânico também aplaudiu a iniciativa. “Sempre é bom preservar a cultura e é muito bom ver que há pessoas e grupos que se preocupam em conservar antigos valores.”
O pastor Hardi Brandenburg, desde o início do culto deixou claro que o domingo era especial. “É com alegria que compartilhamos este dia importante para a comunidade evangélica luterana. Nos sentimos muito honrados neste ato de tombamento que não representa saudosismo, mas sim a preservação da história da fé cristã. Nesse legado arquitetônico que tem traços dos séculos 12 a 14 está a face da imigração alemã. Este dia nos faz olhar para o passado e para o futuro”. Ele encerrou o culto convidando a todos para ouvirem com atenção o ressoar dos sinos que estão no alto da torre, trazidos da Alemanha em 1923. O sino grande traz a inscrição em alemão Friede auf Erden (Paz na terra) e no sino pequeno se lê Den Menschien ein Wohlgefallen (às pessoas a quem ele quer bem).
Características - A Igreja da Ascensão foi fundada em 7 de outubro de 1951. O prédio tem 476,48 metros quadrados, construído no estilo neogótico, nos moldes arquitetônicos da cidade alemã de Colônia. As abóbadas e os arcos do templo têm 14 metros de altura e a torre principal, 58 metros. A torre abriga dois sinos de aço trazidos da Alemanha em 1923. Os vitrais no altar retratam no centro a ascensão de Jesus Cristo. Os bens tombados em nenhuma hipótese poderão ser demolidos e ficam sob proteção e vigilância da Prefeitura. Restaurações podem ser feitas somente com prévia autorização da Secult e da Secretaria de Meio Ambiente e Planejamento Urbano (Semap) e as reformas não podem desfigurar ou descaracterizar o imóvel. Anualmente, a Igreja da Ascensão recebe 10 mil visitas. Em 2007 foram restaurados o órgão e o mezanino. Segundo o pastor Hardi, em outubro deste ano a comunidade pretende dar início à segunda parte do trabalho, que é a restauração do estuque de madeira que sustenta as abóbadas, comprometida por cupins. Fonte: Prefeitura Municipal de Novo Hamburgo




